terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Contextualização




No coração da Amazônia, cercada por caudalosos rios, detentora de uma biodiversidade exótica e de uma riquíssima pluralidade cultural, localiza-se aquela que se tornou um dos mais importantes santuários da expressividade folclórica brasileira: Parintins, “a ilha da fantasia”, “a capital mundial do folclore”. De habitação primeiramente indígena, o lugar foi descoberto no século XVI por europeus que mais tarde trariam seus escravos para trabalhar ali, fatores que fizeram com que o lugar fosse sofrendo constantes mudanças ao longo do tempo, principalmente nos aspectos socioculturais. Situada no interior do estado do Amazonas, limitando-se com o Pará, é um dos principais municípios daquela unidade federal, contando com uma população, urbana e rural, superior a 100 000 habitantes, população esta que toma grandes proporções durante o mês de junho, devido ao grande número de turistas que chegam à cidade para apreciar a grande festa parintinense, marco da quadra junina no município.
À margem direita do rio Amazonas, na ilha Tupinambarana, Parintins revela ao mundo, através de seu festival, uma mistura de fantasia e realidade, tradições e inovações, frutos da inevitável miscigenação na qual índio, negro e branco contribuíram para a constituição do Brasil, manifestação esta que se alastra grandiosamente pelo mundo a fora, sendo considerado como o mais belo e espetacular festival folclórico do planeta. O Festival Folclórico de Parintins tem como razão de existência o auto do Boi-Bumbá, representados na cidade pelo Boi Garantido, vermelho, e pelo Boi Caprichoso, azul. É uma festa realizada anualmente, desde 1965 e, atualmente, sempre nas últimas noites de junho, a céu aberto, em um local conhecido como Bumbódromo, feito exclusivamente para a competição entre as duas agremiações, por um período de três noites consecutivas.
A idade dos bois não é necessariamente a do festival, pois já existiam eles muito antes disto, datando do início do século XX sua criação e primeiras apresentações em solo parintinense.  Com o passar dos anos, as apresentações foram ficando cada vez mais bonitas, novos integrantes apareciam, novas ideias eram aperfeiçoadas, novos elementos foram sendo inseridos, chegavam pessoas de outras regiões para apreciá-los, uma criatividade gigantesca e exclusiva foi se formando em torno dos bois e, com o concurso, crescia a vontade de um boi ser mais belo que o outro, de se fazer mais bonito que o outro. A competição precisaria, então, de algo que limitasse e que separasse o que podia e o que não podia durante as apresentações, pois com o crescimento dos bois e sua fama, eram evidentes as desavenças, as brigas, chegando muitas vezes a casos de polícia. Foi criado, a partir disso, um regulamento que regeria toda a apresentação para que se chegasse de maneira justa ao vencedor. E assim é.
Nas apresentações, os bois exploram temáticas regionais com grande destaque para as lendas, os mitos, o caboclo e o cotidiano amazônico, através de belíssimas alegorias, coreografias, toadas, encenações e espetacularizações. No regulamento, estão inseridos entre as demais normas, os quesitos de julgamento, que são os denominados “itens”, os principais elementos das apresentações. Ao todo são 21 itens, sendo eles de ordem individual ou coletiva, musical, cênica, coreográfica ou artística e que, juntos, evoluem e transcendem nas noites de apresentação, revelando o espetáculo da “ópera amazônica” aos olhos atentos do público em geral e de jurados vindos das regiões nordeste e centro-sul do país. Nos momentos finais das apresentações é magnífica a reunião dos itens individuais, artísticos e coletivos embasados no conteúdo do espetáculo, e, por sua vez, dispostos organizadamente na arena de apresentação, com suas diversidades, harmonia, liberdade de movimentos e tempo, possibilitando, nesse instante, analisar o todo: a Organização do conjunto folclórico.

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